REVIVENDO A HISTÒRIA


Barras 
foto:Reinaldo Barros Torres 

BARRENSES DE OUTRORA,,
Barras do Marathaoan, cidade que corriqueiramente chamam apenas de Barras, é identificada pelos piauienses não apenas pelo rio lhe dá o nome, mas também pelo feito de ser um dos municípios piauienses de onde mais surgiram governadores para o Piauí e outros estados. Mas é bom que se diga que a construção dessa imagem é uma história de muitas décadas passadas;  faz parte da antiga Barras, que congregava toda uma região hoje constituída de vários municípios do Norte.
Essa história está ligada a um ciclo econômico e à força política dos coronéis. É a Terra dos Governadores da República Velha e da ditadura de Vargas. Essa imagem ainda hoje vigora no inconsciente coletivo, como motivo de orgulho e elemento de identidade – imagem que revela também romantismo e ingenuidade na percepção dos fatos. Thaumaturgo de Azevedo, por exemplo, considerado um herói no Acre, saiu muito cedo de uma fazenda em Miguel Alves, então Barras, e não há registros de visitas na região.
Barras também tem se identificado, como cidade de intelectuais. Na antiga  Barras, nasceram grandes artistas em todos os ramos. Desse chão, veio grande número de ocupantes de vagas, por exemplo, na Academia Piauiense de Letras. Disso, de uma história de brilho, além da natureza exuberante e poética, com um rio calmo serpenteando  o  perímetro urbano, vangloriam-se os barrenses. Os que se projetaram para além de suas expectativas, no entanto, não fincaram raízes onde nasceram, salvo raríssimas exceções, geralmente esquecidas pela ingratidão ou pela poeira do tempo.
Fileto Pires seria hoje referenciado e exaltado no Amazonas se não tivesse  ido buscar oportunidades fora? A. Tito Filho, João Pinheiro, Celso Pinheiro, Lucílio de Albuquerque, Joaquim Pires, Firmino Pires etc? A maioria desses cidadãos sequer a adolescência viveu  aqui. Barras reverencia  feitos que não estão diretamente relacionados ao que acontece no  dia a dia da cidade, ainda marcado por valores e práticas sociais que, há bastante tempo,  deveriam ser impraticáveis.  Os mais pobres que o digam.
A imagem de cidade decantada em prosa e verso não é a da migração em massa para o trabalho escravo noutros estados, não é a da precária infraestrutura urbana, não é a do descompromisso histórico de agentes públicos.  A Barras decantada, a imagem de um passado opulento, tem servido, por isso, como sinônimo de alienação, para ocultar uma realidade bem nossa, de precariedade e desesperança.
Isso fica mais evidente em período eleitoral, quando Barras se mostra realmente o que é. De que mesmo Barras se orgulha nos últimos sessenta anos? De trios elétricos distribuindo bebidas em avenidas? De escândalos os mais diversos e brigas paroquiais que envergonham  mais amoral dos seres?
Porque a história da maioria dos barrenses que nos orgulha se faz em outros rincões é que, a  cada semana,  baseado em fontes bibliográficas e, em alguns casos, em relatos orais, é que esta coluna lembrará o tempo e as ações daqueles que, mesmo forçados a construir a história longe de suas raízes, apostaram que a felicidade verdadeira está no trabalho onde as oportunidades surgem.  A história de cada um estará aqui e a sua também pode ser uma delas.
Sexta-feira(29 de Junho), relembraremos um barrense que amava como poucos sua terra, Leônidas Mello.Fonte:acessepiaui/MarathaoaNews.com
 assessepiaui/MarathaoaNews.com
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